Peco pelo tardio, ao escrever este post. Deveria tê-lo escrito há já algum tempo. No entanto, hoje apeteceu-me e, eu ainda funciono um pouco consoante os apetites.
Não conheço Cabo Verde, mas tenho amigos que são caboverdianos, gente que visita a sua terra de dois em dois anos e que trazem, de cada vez que lá vão, algo de novo para contar.
Recordo-me de que as lágrimas me vieram aos olhos ao ouvir, emocionada, a história de Cesária Évora, mulher simples, amiga da sua terra, amiga dos seus amigos e sobretudo, amiga de muitos conterrâneos desconhecidos.
Contaram-me estes amigos que, Cesária tinha um casa na sua terra natal. Essa casa, quer ela estivesse em Cabo Verde, França, ou qualquer outro país, tinha sempre a porta aberta e a mesa posta. Para quê? Para que todos aqueles que tivessem fome e não tivessem o que comer, entrassem, sentassem e comessem, sem pressa, dissera-me eles.
Mantinha, alguém responsável pela gestão da casa e empregou algumas pessoas. A casa funcionava sempre.
A música afastou-a fisicamente do seu país, mas não da sua gente. O egoísmo não tomou conta do seu coração e a fama não lhe turvou os sentidos. Usou o fruto do seu trabalho para continuar a ajudar aqueles que mais precisavam.
Grande Cesária Évora!
Muito para além da música... "SÔDADE"!
Obrigada!
Hoje, senti saudades de aqui vir.
Os últimos meses têm sido de luta, com algumas partidas, umas definitivas, outras, não. Reservei-me ao luto necessário e abri os braços ao que de novo a vida tinha para me dar. Não foi fácil... Não é fácil...
O sorriso não é o mesmo e, sinto não voltará a sê-lo.
O meu quintal encheu-se de monda e estou a ver-me da "cor dos gatos" (nunca percebi muito bem o porquê da "cor dos gatos", mas enfim), para pô-lo em condições de ser cultivado. A relva à volta da casa cresceu de tal ordem, que quase me perdia no meio dela, virou mato. Resolvi a questão a custo zero: o meu vizinho emprestou-me uma cabra, que funciona como corta-relva, um corta-relva de quatro patas. Daquilo que ela não consegue dar conta, o vizinho corta com a máquina, uma vez por mês. Nada mal!
Tenho continuado a escrever. Escrevo textos por encomenda, que troco, não por dinheiro, mas por algo que necessite. O retorno pode não ser imediato, mas chega, mais cedo ou mais tarde, na forma de algo que eu precise e na altura certa.
Neste início de Outono, tenho-me apercebido da vontade de partilha, que viver no campo, nos trás. Pouco tenho para partilhar, mas em pequenos gestos tenho recebido um pouco daquilo que a terra dá: castanhas, abóboras, batata-doce, cebolas, tomates-do-brasil, limões, entre outros géneros.
Voltei a mudar o horário de trabalho. Não será por muito tempo. Mas, enquanto durar, permiti-me fazer uma "vaquinha" com uma vizinha, na utilização de viatura, na ida e volta, para o trabalho. Alternamos à semana. Uma semana levo eu o meu carro, na seguinte leva ela.
.........
Amigos, que achei terem sido no passado, têm surgido do nada, em lembranças, fotos, e histórias, indirectamente, mas a recordar-me que existiram. Tento preservar as memórias boas...
Está a chover novamente. Tenho coisas para fazer, mas não me apetece. O tempo cinzento e triste, empurra-me para o sofá e para o quentinho da lareira. Vou reagir, mas leva tempo... mais do que o desejado.
Um dia estarei de volta! Ou não!
Nota: Se por acaso, alguém ainda visitar este espaço, receba um beijo e um sorriso!
Um estudo da Universidade Fernando Pessoa revela que os Portugueses riem cada vez menos. Ao ler esta notícia, lembrei-me de um certo chefe de gabinete, que proibiu as funcionárias do serviço de rirem.
Para além da pouca vontade que ainda possamos ter, aparece um besta de gravata (porventura pensando que por usar gravata pode ser considerado alguma coisa que não o é enquanto pessoa) a proibir o riso, cada vez mais escasso, de cada uma das funcionárias daquele departamento. Sim, PROIBIR!
Proibiu de rir, de andarem de saltos altos no corredor (diz que o barulho dos saltos lhe impede a concentração, coitado!) e sabe-se lá que mais, aquele infeliz, se prepara para proibir. De respirar?! Será que o simples facto de alguém respirar à sua volta, o desconcentra?
Eu, que tanto gosto de uma boa gargalhada, daquelas saídas da barriga, sonoras e que me abalam o corpo todo, ter-lhe-ia respondido assim:
- Se o senhor gosta da sua vida a preto e branco, isso é consigo. Eu gosto da minha a colorido!
Para si, senhor chefe de gabinete, a minha melhor gargalhada: Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah
Chega?! Ou quer mais?!
Nota: Ainda que, nestes últimos tempos, o riso não seja meu companheiro, espero recuperar a vontade de rir. Rir,rir muito.
Hoje, queria um quarto,
uma cama (não importa a largura),
rosas e velas espalhadas por todo o espaço,
um vinho fresco, para nos refrescarmos (e aquecermos de seguida).
Hoje, queria o teu beijo, o teu cheiro e o teu sabor,
o teu corpo nu...
Hoje, queria tanto, fazer amor...
Contigo!
Os sucessivos Governos Portugueses e, não descarto nenhum deles, provocaram no País um estrago em tudo semelhante ao das térmitas na madeira seca... Destruíram o âmago. O que se via de fora, nada mais era do que uma fina película que virou pó quando lhe tocaram de perto.
A acção das térmitas não tem resultado imediato, mas sim a médio/longo prazo, mas os estragos são irreversíveis se não se agir com determinação e atempadamente...
Quero despir esta pele e, vestir outra
Mais leve, mais alegre, mais feliz.
Quero deambular sorridente
Por entre as àrvores
E sorrir como resposta
Ao chilrear da passarada.
Quero cheirar a rosa que desabrocha ao meu lado
Sentir a Primavera nos cabelos.
Quero sentir-me viva e vivida
Por cada dia passado, por hoje,
E pelo futuro viajar, sem medo,
Aqui e agora.
Quero apenas a liberdade de ser.
De estar, de sentir.
Quero deixar-te lá bem atrás
Onde ficam as memórias
A esquecer.
Quero!
E a vida dá voltas. E, de repente, uma dessas voltas foi/é de 180º. E, acordamos e o nosso norte mudou de posição. E, questionamos amigos, familía, trabalho, atitudes, vontades, desejos, sentimentos, a vida, não necessariamente por esta ordem.
E sentamo-nos à beira Tejo e queremos acreditar que é o Mondego (como se isso fosse possível). E percorremos Lisboa, bebemos uma ginginha com a sensação que não era ali que queríamos estar. E entramos na igreja de S. Domingos e sentimos que onde deveríamos entrar na igreja de Santa Cruz.
E subimos o Chiado, e sentimos saudades da Sara Maria. E, apenas por nos dá na gana, descemos umas certas escadinhas e entramos num sítio simpático, pedimos um chá e deixamos que lágrimas de um choro mudo, rolem pela face.
E, então, surge a vontade de amanhã, participar da manifestação. E, temos certeza de que o vamos fazer, cumprindo, assim, uma vontade, minha e não só. Devo-o a alguém e vou cumpri-la.
P.S. A ausência tem uma filha
Que se chama Saudade
Eu sustento mãe e filha
Bem contra a minha vontade
(Saudade, Cancioneiro Tradicional Açoriano)
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
P.S. É exactamente isto: "Não sei por onde vou, não sei para onde vou, SEI QUE NÃO VOU POR AÍ!
Há alturas na vida em que as circunstâncias nos obrigam a parar e pensar. Esta foi a altura.
A troca de sms, noite dentro, com o Pedro e a conversa contigo, levaram-me à conclusão, triste, que as coisas não estão bem.
Enquanto fiz a pé, o percurso entre Telheiras e o Colombo, fui-me questionando. Cheguei à conclusão que por algum motivo que me escapa, não sou feliz. Alturas houve em que achei e senti, que a felicidade era o meu estado de espírito habitual. Actualmente isso não acontece.
Revisitando mentalmente os últimos anos, não consegui perceber onde ou quando deixei a felicidade escapar.
Penso que se prende com um certo comudismo a que me votei e que não me é característico.
Descobri que não me sinto realizada.
A minha vida, num passado muito recente, limita-se a existir. O que é pouco. Para mim é pouco. Preciso existir porque... E, não esncontro os "porque"...
Faltam-me as cores quentes e vibrantes e a luz e o calor do sol.
Faltam-me os objectivos e os planos.
Falta-me saber para onde quero ir.
Falta-me aquele abanão, aquele empurrão.
Faltam-me os abraços dos meus filhos e de outras pessoas que amo.
Falta-me sentir que vale a pena amar.
....
Que fazer?
Que volta tenho de dar à minha vida?
Por onde começar?
Ultimamente as coisas acontecem de uma forma negativamente surpreendente. No entanto, quero acreditar que sexta-feira, vou tomar café no meu sítio de eleição: o Café Santa Cruz, em Coimbra!
Xo, xo forças negativas... ![]()
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