Sábado, 3 de Maio de 2008

"PROIBIDO PROIBIR"

Entrei na livraria à procura de novos livros. Encontrei um que me despertou a atenção e foi esse que decidi trazer. Já perto da caixa, descobri um cartaz com o sinal de proibido traçado e em letras visíveis à distância, dizia "PROIBIDO PROIBIR".

 

Nunca duas palavras fizeram tanto sentido. Procurei nos bolsos, e descobri, alguns trocos que juntos ao dinheiro que eu tinha para o livro, iriam permitir que eu trouxesse os dois; o livro e o cartaz.

 

Ao chegar a casa, afixei o cartaz na porta do meu quarto. A reacção dos meus pais, não foi a melhor, pelo menos à minha frente. A minha mãe proibiu-me de ter o cartaz afixado e eu, numa rebeldia própria de uma adolescente a tentar afirmar-se, respondi que era proibido proibir. Fingindo uma irritação que não tinha, o meu pai zangou-se. Descobri mais tarde que ambos se tinha divertido com a situação e não tinham tido intenção de retirar o cartaz da porta do quarto.

 

Descobri, também, alguns anos mais tarde, que o meu cartaz (que ainda guardo), reproduzia uma frase que havia sido slogan na revolução estudantil em Maio de 1968, em Paris. Um gurpo de estudantes universitários, discordantes da politica de ensino e não só, liderados por um jovem de nome Daniel Cohn-Benedict, também conhecido por "Daniel, o vermelho", insurgiram-se contra o poder político francês e ganharam o apoio de todo um país, nomeadamente os trabalhadores fabris, que a pouco e pouco, durante todo o mês de Maio, se foram manifestando, levando a que ocorressem transformações de fundo no aparelho governamental da altura.

 

Sem lhe conhecer o rosto, fiz de "Daniel, o vermelho" o meu herói secreto.

 

Um dia, já adulta, liguei a televisão e vejo um senhor sentado, a falar da revolução de Maio de 1968. O senhor era francês. Vestia informalmente e parecia bastante descontraído. Em rodapé vejo surgir o nome do meu herói. Fiquei paralisada de emoção. Ele estava ali. Do outro lado do ecran.

 

Sentei-me a ouvir o que ele dizia e valeu a pena. Descobri que naquela altura era presidente de câmara (não retive o nome da localidade), que não usava fatos- vestia-se consoante a sua vontade e não consoante as reuniões ou cerimónias onde iria participar, que as decisões mais importantes não eram tomadas no gabinete mas sim no terreno, com verdadeiro conhecimento de causa.

 

Hoje, quarenta anos passados sobre a revolução estudantil, questiono-me muitas vezes sobre o que faz falta em Portugal.  Se calhar uma estrondosa união entre os portugueses que pagam a factura, se calhar trazer para o terreno os nosso políticos de gabinete, se calhar incutir-lhes uma politica de poupança (a começar pelos fatos caros que compram e dos quais não necessitam porque a vontade e as decisões não lhes vem dos fatos...), retirar-lhe as viaturas top de gama, das quais não precisam, podem muito bem andar em outros veículos mais baratos e mais económicos, etc.

 

Afinal, senhores, estamos em crise. Nós! Eles NÃO!

 

 

escrito por Eusinha às 09:03

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2 comentários:
De Gatice a 12 de Maio de 2008 às 11:31
Falta o povo despertar, só nós é que temos o poder da mudança não os politicos, afinal é democracia ou não?
De Eusinha a 12 de Maio de 2008 às 12:28
Exactamente, somos nós quem tem o poder. Mas, andamos um pouco esquecidos que o poder é nosso. Acho que nos acomodamos demasiado e deixamos as reponsabilidades nas mãos dos outros, como que se nos estivessemos a ilibar delas.
Obrigada pelo teu comentário e pela tua visita.
Boa semana

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