Sábado, 1 de Agosto de 2009

A sua cidade

Eram muitas as saudades, eram grossas e abundantes as lágrimas que lhe rolavam pelo rosto. Não sabia como as coisas tinham chegado àquele ponto...

Como fora possível permitir-se a  tal ausência?

Como pudera acomodar-se a uma realidade que não era a sua?

Como... como se permitira ficar longe de casa, do rio, do ruído do comboio a rolar sobre os carris, do gemido das guitarras, dos fados sentidos, das ruelas, da cabra na velha torre?

Como?!

 

Ali, parada, a ver o rio, sentiu que algo ficara para trás. Procurou respostas para cada uma das questões. Os porquês eram abundantes e as respostas escasseavam....

 

Ah, como amava aquela cidade... como eram suas as águas daquele rio... e como sentia que ali era o seu lugar...

 

Percorreu a distância entre o Largo da Portagem e a Praça 8 de Maio, com um misto de angústia, saudade, felicidade e insegurança. Entrou na Igreja de Santa Cruz e, rezou. Rezou como nunca tinha feito. Agradeceu o facto de lá estar e, voltou a chorar pela incerteza de um futuro que, por si só, não lhe sorria.

 

Precisava urgentemente encontrar a alegria de viver.

 

Regressou ao hotel, entrou no quarto e atirou-se para cima da cama. E, chorou. Chorou tanto que se lhe esgotaram as lágrimas e adormeceu.

 

Acordou cedo decidida a lutar. Sabia o que queria. Queria ficar ali. Ali, naquela cidade, iria viver o seu presente e projectar o seu futuro. Ali, tinha certeza, seria feliz.

sinto-me: sonolenta
música: Canção do Regresso, Luiz Goes
escrito por Eusinha às 23:50

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5 comentários:
De Tovi a 2 de Agosto de 2009 às 15:46
Longe vão os anos finais da década de sessenta (de século passado) em que “vadiei” pelas margens da cidade onde o Mondego sussurra à noite em segredo, histórias de amor que ouviu, reveladas no Penedo… E ainda me doem os costados das bastonadas da polícia, à ordem do Ministro da Educação Nacional da altura, José Hermano Saraiva, pelo que nunca lhe perdoarei… Mil anos que eu viva.
De Armando Correia a 3 de Agosto de 2009 às 03:28
Tu mereces ouvir isto:

http://www.youtube.com/watch?v=7R6Cf70_eMc
De Armando Correia a 3 de Agosto de 2009 às 03:31
http://www.youtube.com/watch?v=f3WGttZdksg
De Armando Correia a 3 de Agosto de 2009 às 03:48
Canto noite fora, alma dentro,
sinto que a Coimbra me entrego,
tempos de oiro leva-os o vento,
minhas mágoas o Mondego.

Eis que chega a hora de partir,
hora derradeira do adeus!
Levo, na memória, risos, prantos, histórias,
coisas que não esqueço.
Peço só poder voltar.

Choro este sonho que se acaba,
sonho de que acordo, triste fado,
dos meus ombros solta-se a capa,
dos meus olhos a saudade!
De Armando Correia a 3 de Agosto de 2009 às 03:51
Em cima a letra da balada de despedida da TMUC

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