Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

É triste...

Domingo de manhã, um dia nublado mas, suficientemente quente, para que António planeasse ir até à praia após o almoço.

 

A viver sózinho, após a morte dos pais, ficou, com toda a lida dos campos e da casa por sua conta, para além do emprego.

 

Assim sendo, pôs roupa a lavar na máquina. O dijuntor disparou. Após várias tentativas e contínuos disparos do dijuntor, saiu de casa e dirigiu-se à mercearia para telefonar para a Empresa de Electricidade.

 

Quando voltou, reparou que do telhado saía um pequena coluna de fumo. Voltou à mercearia e telefonou para o posto dos bombeiros, que fica na freguesia vizinha, a sensivelmente dez minutos de distância tempo.

 

Aguardou e nada. Uma vizinha também ligou. Desta feita foi informada que não existiam bombeiros de plantão, pelo que teriam de vir os da cidade (ao que parece, por má gestão do comando central).

 

Os populares não sabiam o que fazer.

 

A madrinha do António, voltou a ligar para os bombeiros...

 

Passados uns quarenta e cinco intermináveis minutos, surge o carro tanque dos bombeiros (que entretanto se haviam perdido no caminho...) que, para espanto de todos, não trazia água, estava vazio.

 

Recorreram a uma boca de incêndio próxima que, também ela, estava seca...

 

Entretando de uma forma impiedosa, as chamas destruíram tudo o que o António tinha.

 

Todos os haveres que os pais lhe tinham deixado. Toda a sua roupa e calçado. A sua casa. Todos os seus registos de vida.

 

De um momento para o outro, António, ficou sem NADA. Sem bens materiais e sem a alegria de viver, que lhe era tão característica.

 

Tentamos saber o que de imediato faltava ao António. A madrinha, informou-nos que roupa é o mais necessário.

 

Entramos em campo, estabelecemos contactos, mas está a ser difícil. Camisas XL, calças 48 e sapatos 45, não é qualquer um que tem...

 

Continuamos à procura.

 

António, não estás sozinho! Não percas a esperança! Juntos vamos conseguir!

 

 

Nota: O Comandante dos bombeiros já veio a publico e mentiu.

 

          A Junta de Freguesia deveria, até porque tem esse dever moral e cívico, instaurar um inquérito, para se apurar responsabilidades e, evitar

          que situações deste tipo se voltem a repetir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me:
escrito por Eusinha às 15:29

link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Lynce a 13 de Agosto de 2010 às 09:53
Isto é drama. Agora acredito que o país bateu mesmo no fundo. Enquanto aos bombeiros não são dados meios humanos e materiais, os senhores da protecção civi passeiam-se em topos de gama.
Beijinhos
De Maria Araújo a 25 de Agosto de 2010 às 18:37
Os pobres que vivem do pouco que têm, são sempre os sacrificados e os que mais sofrem.

Bj

Comentar post

.mais sobre o meu "eu"

.pesquisar no meu cantinho

 

.Novembro 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.escritos recentes

. Cansa-me o egoísmo

. Apetece-me dizer um palav...

. Bom dia! E um sorriso.

. Entre partir e ficar

. ...

. OBRIGADA, Bernardo Sasset...

. Cesária Évora - a outra f...

. Breves

. Sentir pena ou vontade de...

. Quereres

.coisas que eu já escrevi

.tags

. todas as tags

.favorito

. De dois em dois o caracol...

. Como irritar o signo de …

. O que alguém escreveu sob...

. Saudade

. Pensamento (meu) sobre o ...

. Paixão Motard

. DEDICADO A TI; AMIGA

. Sinto falta

. Abraço

. Sim...

blogs SAPO

.subscrever feeds