Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Amor adolescente

Foi a Valquíria quem trouxe o bilhete, dobrado em quatro.

Ao lê-lo, senti que o coração saltava do peito... Nem queria acreditar. Marcavas um encontro comigo, no jardim, às 17 horas.

 

Terminadas as aulas, corri para casa, tomei um duche e vesti-me.

Escovei o meu longo cabelo preto, vesti o meu vestido bege com florinhas miudinhas e calcei as minhas sandálias às tiras.

Olhei-me ao espelho e acreditei ser a miúda mais bonita das redondezas.

 

Saí para a rua. Ao passar no jardim de casa, colhi violetas e com elas perfumei e ornamentei o meu cabelo.

Sentia-me bem. Estava feliz. O meu cabelo acompanhava o movimento do meu corpo e espelhava a minha felicidade.

Passei em frente ao café e ouvi alguns piropos. Que engraçado, não me lembro de ter ouvido piropos antes...

 

Cheguei ao jardim faltavam dez minutos para a hora marcada. Esperei ansiosa, com o coração ao pulos dentro do peito e um leve tremor nas pernas.

Nunca me tinha sentido assim anteriormente.

 

Os minutos passavam... tu, não chegavas. Não chegaste.

De volta a casa, as violetas foram caindo uma a uma na calçada. Os meus pés e pernas estavam demasiado pesados. Já não me sentia bonita. Antes pelo contrário. Achava-me desprezível.

 

Entrei em casa e subi ao quarto. Tomei um novo duche. Um duche que me lavou a alma da ansiedade e angústia que foi estar à tua espera.

 

Desci para jantar. Todos estranharam o meu silêncio, mas respeitaram-no.

 

Deitei-me cedo. Adormeci com alguma dificuldade, mas acabei por dormir bem.

 

De manhã, acordei à hora habitual. Não me sentia bem, nem mal.

 

Fui para a escola. A Valquíria esperava-me ansiosa.

- Então?

- Então? Nada. Não apareceu.

 

Dirigimo-nos à sala. Cruzamo-nos. Olhei-te nos olhos e levantei a cabeça, ainda mais do que o normal. Do alto dos meus quinze anos, mostrei-te que não iria sofrer por amor. Também, não  te dei a chance de te desculpares. Para quê? Para me mentires? Definitivamente, NÃO!

Soube mais tarde, que tinhas ido jogar ténis de mesa. Trocaste-me por um mero jogo de ténis de mesa. Querias o quê, que eu sofresse? Não acredites nisso.

 

....

 

Encontramo-nos por acaso, numa rua da cidade onde moramos. Olhaste-me e sorriste.

Achei engraçado. Também sorri.

Perguntaste, como estás? Respondi-te, bem e tu?

 

Convidaste-me para um café e eu aceitei.

- Desculpa.

- De quê?

- Por te ter deixado sozinha no jardim...

Sorri.

- Já foi há tanto tempo...

- Pois, mas eu nunca te esqueci. Casaste?

- Não. E tu?

- Também não.

Continuamos a conversar e nem demos pelo tempo passar. Convidaste-me para jantar. Aceitei.

 

Surgiram muitos convites. Aceitei-os todos.

 

Hoje, hoje... pediste-me em casamento.

E, sabes, acho que vou responder SIM!

 

 

 

 

 

 P.S. Qualquer semelhança com factos reais, é pura coincidência.

sinto-me: Inspirada e imaginativa
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escrito por Eusinha às 19:05

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4 comentários:
De sorrisoalegre a 3 de Maio de 2007 às 21:12
bem se este post é mesmo a tua vida e não um simples conto desejo-te muitas felicidades!!!
De Eusinha a 4 de Maio de 2007 às 23:16
Olá
O post que comentaste é um simples conto, como referiste. No entanto, agradeço os votos de felicidades e retribuo de igual modo, afinal todos nós merecemos ser FELIZES.
Bom fim de semana
De apenasMadalena a 4 de Maio de 2007 às 12:38
Hummm será q é mesmo pura coincidência???
Olha se isso te fizer feliz como pareçes ao descrever esta cena, que sejas realmente MUITO FELIZ!!!!
Bjokas gandes
Madalena
De Eusinha a 4 de Maio de 2007 às 23:21
Olá
A imaginação não conhece limites. Por isso, este à semelhança de outros posts , é um conto fruto da minha "fertilidade" imaginativa.
De qualquer forma, agradeço os votos de felicidades. Afinal é esse o objectivo de todos nós.
Sê feliz também.
Beijinhos

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