Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

À procura do amor

Andei louca pela cidade à tua procura. Não te encontrei em parte alguma. Continuei de uma forma insana a busca, sempre com o mesmo resultado.

Tropecei em cada pedra da calçada, caí exausta na berma de uma qualquer estrada e, não te encontrei.

Subi montes, desci vales, aumentei o meu desespero, numa busca sem fim e, nada.

De ti nem sinal.

Quis ver o teu rosto em todos os rostos que comigo se cruzaram.

Ouvi a tua gargalhada em todas as gargalhas ao meu redor.

Senti mesmo, o teu olhar, quente e doce, em cada um daqueles olhares que me eram dirigidos.

Fingi sentir as tuas mãos no meu corpo, em todas as mãos que o acariciaram.

Foi então que descobri que o amor não tem rosto, o amor não ri às gargalhadas, o amor não vê e o amor não tem mãos.

Percebi que o amor  que eu em vão procurara, não existia . Nunca existira. Não existiria.

Fechei-me a sete chaves, num castelo inalcançável , e chorei. Chorei pela ilusão perdida, pela dor sentida, pela utopia do amor.

Rodeei-me de gelo, tornei-me eu própria um bloco dele.

Vieram ventos, chuvas, tremendas tempestades e eu, mantive-me inalterada na minha superior frieza.

Hoje, do alto das muralhas por mim construídas, olho à minha volta e vejo que procurei longe, o que afinal estava perto.

Procurei o amor, longe.

Nem pensei tão pouco que o chilrear do pássaro na minha janela todos os dias pela manhã, era uma forma de este dizer que me amava.

Não percebi que o leve aroma a violetas, que me entrava pela janela, aos primeiros raios do sol, eram uma forma de amor.

E tantas, tantas outras provas me foram dadas. As mesmas provas que foram sempre por mim ignoradas.

Agora percebo que o amor esteve sempre à minha volta, nas pequenas coisas da vida...

E sinto-me aberta ao amor...

 

 

sinto-me: luminosa
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escrito por Eusinha às 18:45

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4 comentários:
De Manuel José a 1 de Junho de 2007 às 15:17
Olá Eusinha.
O Amor está em nós, o Amor está dentro de nós.
Só temos que deixar entrar em nós o aroma suave do Amor, a ternura delicada do Amor, a subtileza das delícias do Amor.
Sim quantas vezes "eu quiz um beijo teu e tu simplesmente me ignoraste", "quantas vezes eu quiz apenas um abraço teu e tu simplesmente me ignoraste", quantas vezes te olhava deitada na cama deliciando-me com o teu rosto bregeiro e tu simplesmente me ignoraste", e quantas vezes eu te quiz amar e tu simplesmente me dizias que estavas ocupada, e quantas vezes ...
O tempo esse maravilhoso tempo que deixámos para trás perdeu-se e já não volta. Ficam apenas as recordações daquilo que não fizemos e o que poderíamos ter feito, mas esse tempo desvaneceu-se. Agora é com desalento que procuramos o que não temos e buscamos nas angústias o prazer de ter aquilo que mais desejamos, que é o Amor. Agora, procuramos no movimento à nossa volta encontrar ou perceber os sinais do tempo que nos façam felizes, buscado a doçura de um Amor que queremos encontar e ter na nossa cabeceira, com o calor e o desejo de ser um só.
De Eusinha a 2 de Junho de 2007 às 09:48
Bonitas palavras, meu amigo, carregadas de emoção e sentimento, até de uma certa mágoa. O tempo passa e nós não nos apercebemos que no corre corre diário, ficam para trás fragmentos importantes da nossa vida, vividos ou não...
Um beijinho e bom fim de semana
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Bonitas palavras, meu amigo, carregadas de emoção e sentimento, até de uma certa mágoa. O tempo passa e nós não nos apercebemos que no corre corre diário, ficam para trás fragmentos importantes da nossa vida, vividos ou não... <BR>Um beijinho e bom fim de semana <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Eusinha</A>
De Manuel José a 3 de Junho de 2007 às 17:25
Tens razão, as minhas palavras carregam uma certa mágoa. Mágoa por não ter conseguido fazer aquilo que imaginei, mágoa por sentir que o mundo desaba em cima de mim e me sinto impotente para o segurar, mágoa por querer amar com prazer e ver-me a amar com nostalgia. Mágoa ...
De Eusinha a 3 de Junho de 2007 às 20:57
Não tens de carregar essa mágoa sozinho. Os amigos, embora virtuais, exitem para alguma coisa. Estou disposta a ouvir-te ou a ler-te se preferires.
O fardo fica sempre mais leve quando divido. Pensa nisso...

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