Sábado, 15 de Março de 2008

Stanley Jordan

 

Como era habitual, comprei os bilhetes para o festival, sem me preocupar com os nomes dos artistas, já que a garantia de qualidade dos mesmos, me deixar livre dessa preocupação e o factor surpresa ser algo que me fascina.

 

Na véspera do festival um colega de trabalho, perguntou-me se não ia assistir à "conferência" onde o guitarrista Stanley Jordan , ia participar. Seria sobre musicoterapia.

 

- Vai ser interessante e como sei que este assunto te interessa... - disse-me ele.

 

No sábado à tarde, à hora marcada, tomei o rumo do auditório. Na assistência não estavam muitas pessoas. Alguns jornalistas e outros tantos curiosos, como eu.

 

O que ouvi, deixou-me fascinada. Pelo músico e pela pessoa que ele era. Todo o trabalho feito em hospitais, passando até por alguns blocos operatórios, fascinou-me de tal forma que decidi, de alguma forma, chamar a atenção para este senhor e para a sua obra.

 

Soube mais tarde, em conversa com um amigo, homem da rádio e deveras conhecedor da vida e obra de Stanley Jordan , que este tem formação musical académica mas, foi nas ruas de Nova York e Chicago que ganhou mestria. Chegou mesmo a ser conhecido pelo músico que tocava em troca de alguns cêntimos. Desengane-se quem pense que não tinha valor suficiente para editar os seus trabalhos. Foi contactado mas, não aceitou gravar, por sentir que ainda não amava a musica como amava a sua família. Quando o fez, fê-lo com a certeza de ter chegado o momento certo.

 

À noite, perante uma sala cheia, um homem grande com ar de menino, subiu ao palco. A um palco onde para além dele e da sua guitarra, apenas estava um piano. Ele e a guitarra, em comunhão perfeita, foram-se soltando em sons, melodias e emoções. O braço da guitarra era tocado pelas suas duas mãos (a direita tocava como se o braço da guitarra fosse um piano). Os meus olhos não conseguiam desviar-se dos seus longos dedos e do braço da guitarra.

 

O público extasiado levou-o a soltar-se ainda mais. Não houve e não há ainda hoje, passados que são alguns anos, e por mais que tente encontrá-las, palavras que quantifiquem e qualifiquem as emoções vividas. Stanley Jordan , tirou da sua harmónica sons que acompanhavam num casamento singular, a sua guitarra. Mas as emoções não estavam completas. Para surpresa de todos, a harmónica continuou a tocar, a guitarra também e o piano acompanhou. Soube depois no bar, que aquilo a que nós tínhamos assistido, já havia sido feito (duas ou três vezes) mas não estava planeado e, era o reflexo do público que lá estava a assistir. Tínhamos formado um universo de gente diferente, vibrando da mesma forma.

 

Este foi sem dúvida um dos melhores concertos a que assisti em toda a minha vida. Para além do jazz  ser a minha paixão musical, a guitarra  sentida e tocada desta forma  é-o também.

 

 

sinto-me: bem (acho)
música: Stairway to Heaven, Stanley Jordan
escrito por Eusinha às 18:00

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2 comentários:
De lovenox a 17 de Março de 2008 às 18:07
Tenho andado meio desaparecido, muito trabalho, mas hoje cá estou para te deixar uma beijoca.
De Just Moments a 22 de Março de 2008 às 18:23
Olá Amiga!

Já ouvi e tens razão..é simplesmente fantástico!!

Parabéns pelo Bom Gosto!
e por teres partilhado isso connosco

Beijinhos doces

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