Domingo, 21 de Setembro de 2008

Não sei porquê...

mas hoje senti saudade da altura em que deslocava-me a pé, do Mucifal até à Praia das Maçãs (Sintra), numa qualquer despedida de verão e a abraçar  o Outono.

 

Saía de casa de manhã, não muito cedo, percorria as ruas empedradas, gastas e escorregadias, parava na papelaria via as revistas, voltava a parar no café, para a minha habitual nata e a minha bica e, seguia viagem até Colares. Aí surgia sempre a dúvida: ir como, a pé? De autocarro? De eléctrico? Decidia-me sempre por ir a pé. Dava-me muito mais prazer.

 

Passava pelas vivendas, algumas já fechadas, porque os donos já estavam de volta a Lisboa, outras ainda com crianças a brincar nos jardins, e ia, devagar, até à Praia das Maçãs.

 

Atravessava a praia quase deserta, não fora alguns, que como eu teimavam em prolongar o verão, a praia estaria mesmo deserta, e sentava-me ao fundo, naquela rocha lisa e ligeiramente inclinada, a receber de bom grado os salpicos das ondas que rebentavam na mesma.

 

O sol já não estava tão quente e os salpicos eram ainda mais frios. Mas faziam-me sentir bem. Eram carícias do mar...

 

Sim, hoje não sei porquê, senti saudade...

 

E, por esse motivo, fiz a mim própria a promessa, que este Outono irei até à Praia das Maçãs, não a pé, nem do Mucifal, mas irei, receber os salpicos que tão bem me faziam sentir e que por motivos vários já não recebo há muitos, muitos Outonos.

 

 

sinto-me: melancólica
escrito por Eusinha às 20:45

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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Um anjo chamado Graciete

Estava, sentada na sala de espera do hospital, aborrecida porque a minha consulta não tinha sido, aparentemente, marcada e ainda não sabia se o médico ir-me-ia atender ou não, quando ela chegou.

 

Vestia um pijama do hospital e dirigiu-se à máquina do café. Introduziu a moeda, esperou o café e depois veio até à mesinha que estava ao meu lado esquerdo, olhou para as revistas e sentou-se ao meu lado.

 

Nem sei como iniciou a conversa, mas falou-me de si, do seu problema de saúde, porque estava internada e há quanto tempo lá estava. Sofre de depressão bipolar.

 

Nos momentos em que esteve sentada ao meu lado, pude constatar o carinho com era tratada, quer por doentes, pessoal médico, de enfermagem e auxiliar e até mesmo pelas senhoras do voluntariado. Soube que a Graciete ajudava todos que dela precisassem, em gestos que poderiam ir desde ajudar a calçar um chinelo até fazer companhia a alguém com tendências suicidas. Por tudo isso foi nomeada, pelo padre do hospital e pessoal do voluntariado, voluntária honorária. Não aceitou o crachá (não gosta de exibicionismo).

 

A mim, animou-me muito. Eu estava num estado de ansiedade tal que as lágrimas me bailavam nos olhos, teimosas...

 

Começou por dar-me metade da minha idade, o que, confesso, elevou a minha auto-estima e a colou ao tecto da sala de espera e, depois de algum tempo de conversa, abraçou-me e beijou-me a face, disse-me que eu tinha uma aura muito clara, que só podia ser boa pessoa. Sorri, claro. Agradeci-lhe e devolvi-lhe o abraço.

 

Ela levantou-se e lá foi em direcção a uma outra missão. Atrás dela ficou uma luz e dentro de mim uma paz indescritível.

 

À noite, enquanto passeava sob o céu estrelado e olhava a lua, na minha última noite em Lisboa, tive a certeza que a Graciete era um ANJO.

 

sinto-me: em paz
escrito por Eusinha às 21:09

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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

'A minha próxima vida', por Woody Allen

 

Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente.

 

Começar morto, para despachar logo este assunto.

 

Depois acordar num lar de idosos e, sentir-me melhor a cada dia que passa.

 

Ser expulso por estar demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro, no primeiro dia.

 

Trabalhar quarenta anos, até ser novo o suficiente para gozar a reforma.

 

Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo e, depois estar pronto para o liceu.

 

Em seguida, a primária, fica-se criança e brinca-se.

 

Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos.

 

Por fim, passamos nove meses a flutuar num spa de luxo, com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior, de dia para dia.

 

E depois,

 

                                   VOILÁ!

 

                                    Acaba com um orgasmo!

 

Tenho dito!

 

 

 

Como gostaria de ter sido eu a escrever este texto... Mas, enfim, a minha capacidade não chega a tanto.

 

Posso, no entanto, garantir, que para além de fazer-me sorrir, fez-me pensar no facto de não aproveitarmos a vida da melhor forma. Por falta de oportunidades? Por falta de forças? Por falta desse "vil metal" que tanto nos condiciona? Se calhar!...

sinto-me: com sono
escrito por Eusinha às 23:49

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Sábado, 12 de Julho de 2008

Nem acredito... Herbie Hancock ao vivo

Que óptima surpresa esta. Acabei de saber que se tudo correr bem, vou poder assistir a um concerto de Herbie Hancock.

 

Pois Herbie Hancock, vai estar ao vivo e a cores e sobretudo com muito som, na minha santa terrinha. Há muito tempo que desejava assistir a um concerto desde senhor, grande pianista de jazz , mas nunca imaginei poder concretizar este desejo.

 

Quem aprecia jazz, sabe que este senhor venceu este ano, o prémio Grammy Awards para o Melhor Álbum do Ano e Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo, com o seu álbum "River: The Joni Letters".

 

Herbert Jeffrey Hancock nasceu em Chicago, a 12 de Abril de 1940. Começou a estudar piano aos sete anos de idade e aos onze já dava concertos. Durante largos anos fez parte do quinteto de Miles Davis. Após a sua saída do quinteto de Miles, enveredou cada vez mais por um jazz de fusão, sem abandonar por completo o jazz acústico se bem que numa vertente moderna.

 

É sem sombra de dúvida um músico notável e versátil. E eu, Eusinha, vou estar a vê-lo e a ouvi-lo muito em breve.

 

 

 

 

 

sinto-me: feliz por antecipação, ehehehe
música: Cantaloup Island, Herbie Hancock
escrito por Eusinha às 17:37

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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Silêncio

Apanhei-o com ambas as mãos

Segurei-o muito bem

Levei-o, assim, até ao quarto

Soltei-o e fiquei a vê-lo subir,

Subir, subir, elevar-se e

Colar-se ao tecto.

Coloriu-se.

Pintou-se de cores garridas

E, brilhou.

Deitei-me a vê-lo...

Apreciei-o...

E, adormeci.

 

Sonhei, sonhei um sonho feliz

De Paz!

Essa Paz, trazida por esse ansiado

 

SILÊNCIO.

 

 

 

NOTA: As últimas duas semanas, foram muito trabalhosas, complicadas, angustiantes, stressantes, desgastantes...

Andei numa roda viva. Dividi-me entre filhos, reuniões escolares, notas, matrículas, marido, casa, emprego, voluntariado e amigos ( dois deles de férias, pediram-me alojamento cá em casa por necessitarem de sair dos sítios onde estavam alojados, por terem terminado os relacionamentos que mantinham).

Soube-me, deliciosamente bem, o silêncio que encontrei, quando regressei hoje a casa...

Hoje, pretendo deitar-me cedo. Dormir cinco horas por noite, já não é para mim. Eheheheheh!

 

sinto-me: encantada com o silêncio
música: Selena de Andrea Bartelucci
escrito por Eusinha às 23:25

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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Esbjorn Svensson

Tenho ainda na minha memória um concerto de jazz, ao qual assisti há cerca de dois anos. Era um trio de jazz moderno, vindos da Suécia, cujo nome era curioso: E.S.T..

 

O trio era integrado por Magnus Oström, baterista, Dan Berglund, baixista e Esbjorn Svesson, pianista e compositor.

 

Fui para o concerto sem conhecer nada, absolutamente nada, da obra do grupo. Podia, eventualmente ter ouvido uma ou outra vez um tema deles, mas nada que me fizesse afirmar que conhecia as sonoridades próprias do trio.

 

Gostei. Saí da sala com a alma cheia. Do trio destacava o pianista. Em conversa com alguns amigos, gente ligada à música em geral e ao jazz em particular, todos aplaudiam a excelência de Esbjorn Svensson.

 

Foi com tristeza que recebi a notícia da sua morte, no passado sábado, dia 14 de Junho de 2008. Contava apenas quarenta e quatro anos.

 

O Jazz ficou mais pobre com a partida precoce deste senhor.

 

Nota: a quem possa interessar, no youtube, existe um vídeo de Svensson, num solo fantástico.

 

sinto-me: murchinha
escrito por Eusinha às 19:30

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Estrela do Mar

Um pequenino grão de areia

Que era um pobre sonhador

Olhando o céu viu uma estrela

Imaginou coisas de amor, ô ô ô

 

Passaram anos, muitos anos

Ela no céu ele no mar

Dizem que nunca o pobrezinho

Pode com ela se encontrar

 

Se houve ou se não houve

Alguma coisa entre eles dois

Ninguém soube até hoje explicar

 

O que há de verdade

É que depois, muito depois

Apareceu a Estrela do Mar

 

Da autoria de Paulo Soledade e Marino, interpretado por Dalva Oliveira, no ano de 1952.

 

 

Nota: Acordei hoje a cantarolar esta canção. Não sei se por me achar um pequenino grão de areia...

 

sinto-me: eheheheheh
música: Estrela do Mar
escrito por Eusinha às 14:04

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Sábado, 14 de Junho de 2008

Idade para ter juízo

Quantas e quantas vezes já ouvi e já disse esta frase "Já tens idade para ter juízo!"?

 

Hoje, questiono-me, sobre o facto de existir uma idade para tal e sobre o que é o juízo a que a frase se refere.

 

Será o juízo uma forma comportamental que agrada mais aos outros do que a nós próprios? Será uma fonte de falsos e hipócritas moralismos?

 

Vivo em sociedade, é certo, mas deverei anular-me para parecer bem aos olhos dos outros?

 

NÃO!

 

Devo respeitar os outros e respeitar-me. Mas devo ser, acima de tudo feliz, com as escolhas que faço. Só sendo feliz, poderei transmitir felicidade aos que me rodeiam.

 

Louca?! Sim, sou. Sempre fui... Por isso, justamente por isso, ouvi tantas e tantas vezes a frase acima referida.... E, por isso também, acho que nunca conseguirei, por muito avançada que seja a minha idade física, alcançar a idade mental para ter juízo.

 

Lamento se desiludo aqueles que projectavam aniquilar-me o pensamento e os sentimentos.

 

Eusinha, está acima de barreiras e fronteiras estereotipadas, pré-fabricadas para consumo alheio. Sou muito mais do que isso! Valho muito mais do que isso!

 

Afinal, não é todos os dias que nos podemos afirmar como sendo nós próprios. E, hoje eu sou mais eu. Sou EUSINHA!

 

 

sinto-me: No mundo da Lua
música: Fly me to the monn, Frank Sinatra
escrito por Eusinha às 13:24

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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

RAÇA...!?

Dia da Raça. 

Que raça?

Puro sangue Lusitano?

Por acaso seremos cavalos?

 

Aprendi há muitos anos que, os humanos se dividiam em grupos étnicos e não em raças. Aprendi, também, que o dia 10 de Junho, era o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.

 

Será que tudo isto mudou e, eu não me apercebi?

 

sinto-me: Descontente
escrito por Eusinha às 23:44

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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

Literamente aos pés de um "Gulliver"

A cidade começa a intensificar o trânsito matinal, por volta das oito horas e trinta minutos.

 

É, também, por volta dessa hora, que depois de deixar os meus filhotes nas respectivas escolas, e deixar o jipe no parque de estacionamento, vou habitualmente ao café.

 

Como estava a chover, não me apeteceu iniciar o dia a secar roupa no corpo, entre no mini-autocarro e dirigi-me ao centro da cidade.

 

Ao atravessar a rua na passadeira, mesmo em frente à porta do café , medi mal a distância e bati no passeio com o bico da bota (sim, Tininha , as que comprei quando estive contigo em Coimbra...).

 

Caí, literalmente aos pés de um "Gulliver". À minha frente estavam uns pés que, supus, calçariam um mísero 48. Eu, no chão, sem conseguir parar de rir, imaginando-me uma lilliputiana ", com uma dor enorme no joelho esquerdo, que havia batido na beira do passeio, a ver as minhas colegas de café, entre divertidas e admiradas, mantendo-se à distância, com duas mãos enormes estendidas para me ajudarem a levantar e, sem me conseguir mexer, vi-me subitamente erguida nos braços do dito gigante e sendo transportada para o café.

 

Fui delicadamente instalada numa das cadeiras perto da porta. Após me ter questionado como me sentia, o gigante dirigiu-se ao balcão , pediu qualquer coisa que eu não consegui perceber, fez uma chamada pelo telemóvel, voltou a falar com o empregado do café e veio sentar-se ao meu lado.

 

Não levou muito tempo, o empregado surgiu com um saco com gelo, para o meu joelho e um pequeno almoço para dois.

 

Quando, julgava eu, não haver lugar a mais surpresas matinais, dirigiu-se à nossa mesa o resultado da chamada telefónica: um massagista, com a mala e tudo...

 

Recebi, após um exame ao joelho, umas massagens e alguns conselhos.

 

Fiquei a saber que o gigante era jogador de basquetebol, estava na cidade para efectuar um jogo naquele dia à tarde. Media 2,06 metros e calçava 49. Coisa pouca. Ainda menos significativa, se considerarmos que meço 1,45 metros e calço 33...

 

Cheguei atrasada ao serviço. Claro.

 

Durante todo o dia e ainda em alguns dias seguintes, fui brindada pelas gargalhas e sorrisos da minhas companheiras de café. Gargalhadas que se juntaram às minhas...

 

Como diz uma Amiga: Há coisas que só te acontecem a ti, Eusinha !  E, não é mesmo?

 

 

sinto-me: super-bem
música: kkr uma, desde k de flauta por Andrea Bartelucci
escrito por Eusinha às 13:40

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