Sábado, 27 de Setembro de 2008

Os crepes do pai da Catarina

A minha filha é convidada, com alguma frequência, para lanchar e passar o fim de semana, na casa de uma amiga. Como estão na mesma turma e, por insistência da mãe da menina em causa que, diz que a minha filha é um elemento de paz e tranquilidade entre as filhas, acabo sempre por deixar.

 

Quando a minha filha voltava para casa, havia sempre uma série de perguntas, da minha parte, claro, ás quais ela tinha de responder.

 

- Correu bem?

- Gostaste?

- O que comeste?

 

A esta última, invariavelmente ela respondia que, quer para o pequeno almoço, quer para o lanche, tinha comido CREPES.

 

- Quem fez os crepes?

- O pai da Catarina.

 

Ora, a história dos crepes já me estava a aborrecer. Apesar de ser considerada "cozinheira de mão cheia", eu e as massas não nos damos muito bem. Sempre foi assim. Pelo que, o pai da Catarina saber fazer crepes e eu não, irritava-me solenemente.

 

Propus-me então, a aprender a fazer crepes. Experimentei uma série de receitas e... nada. Ou a massa ficava muito líquida ou muito grossa. Não havia maneira de acertar com aquilo.

Que raiva!

 

A minha ira aumentava todas as vezes que me lembrava que o pai da Catarina sabia fazer crepes.

 

Vieram as férias e eu a pouco e pouco fui esquecendo os crepes e frustração de não acertar com a massa.

 

Um dia, em que fui às compras para a casa, convidei a minha filha a acompanhar-me, Ela aceitou e lá fomos nós ao hipermercado. Quando estavamos na zona dos congelados, a milha filha dá um pequeno grito de alegria. Olho para ela e vejo-a com uma caixa quadrada na mão e um sorriso vitorioso no rosto.

 

- Encontrei! Encontrei, mãe!

- O que foi que encontraste?

- Os crepes que o pai da Catarina faz!

 

Fiquei "pi-ursa".

 

- Então, os crepes que o pai da Catarina faz, são crepes congelados?

- Sim, são. É só preciso pô-los 90 segundos no microondas.

 

Desatei a rir às gargalhadas, só de lembrar-me das minhas tristes figuras a tentar fazer crepes e da raiva que senti por não lhe dar com o jeito.

 

Moral da história: não devemos agir sob o efeito da raiva. Teria evitado raiva, frustração e dispêndio de dinheiro, se tivesse colocado uma simples questão à minha filha:

 

- Como é que o pai da Catarina faz os crepes?

 

 

sinto-me: palavras para quê?
escrito por Eusinha às 11:10

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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Paciência... paciência tem limites!

Sou por natureza amiga, compreensiva, presente, mas claro está com direito a viver a minha vida. Boa ou má, é minha. E, é justamente essa que eu tenho de viver.

Na vida dos outros não participo a menos que, de uma forma ou de outra, seja "convidada" a fazê-lo. Participo enquanto sou necessária e a menos que haja indicação do contrário, afasto-me quando vejo /sinto que já não precisam de mim.

 

Hoje, aconteceu uma coisa estranha. Alguém com quem me tenho cruzado algumas vezes no corredor das urgências do hospital (médico), esteve a conversar comigo, assim, do nada e, focou justamente este facto. Gostei de conversar com o senhor doutor. Foi a primeira vez que estabelecemos um diálogo fora do seu local de trabalho. Lá eu sou sempre uma cliente e ele o prestador de serviços. Mas, hoje a coisa foi ligeiramente diferente, fomos apenas o Zé e a Eusinha.

 

Dizia-me então o Zé, concedeu-me autorização para o tratar assim, que é notória a vontade, das pessoas em geral, de controlarem a vida alheia; que os amigos sentem uma doentia necessidade de serem donos da nossa vida e do nosso espaço, seja esse espaço o que for (físico, temporal, moral, familiar, etc).

 

- Quando cá cheguei tive de me impôr! As pessoas usavam e abusavam de mim como se eu fosse um fantoche e sem manifestarem o minimo interesse em respeitar o meu eu. Era frequentemente bombardeado por telefonemas fora de horas ou visitas tardias. Ninguém pareceia aperceber-se de que eu tinha vida própria. Até que um dia explodi.

 

Eu, apenas sorri e deixei-o continuar.

 

- Eram cerca das 2 horas da manhã, eu tinha saído de serviço à meia noite, ouço tocar à campaínha, vou abrir e eram dois casais amigos. Vinham beber um copo.

 

- Um copo?! A esta hora?! Desculpem lá mas paciência tem limites. Vão beber para outro lado. Eu preciso descansar.

 

- Conclusão: perdi supostos amigos, mas ganhei paz de espírito.

 

- Acho que a palavra foi passando... Até porque algumas vezes em tom de brincadeira, mas a sério, alguém dizia "paciência tem limites".

 

....

 

Agora, a alguma distância tempo, da conversa tida com o Zé, dou-lhe toda a razão. De uma maneira geral as pessoas são egoístas e julgam que o mundo gira à volta do seu umbigo. Não, não gira. E, muitas vezes por detrás de um sorriso ou da compreensão manisfeta num diálogo, existe muito sofrimento. É também verdade que quem mais sofreu ou sofre é que manifestamente se mostra mais disponível  ou compreensível para ouvir e ajudar.

 

 

sinto-me: em paz de espírito
escrito por Eusinha às 19:08

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Sábado, 26 de Julho de 2008

Amizade

 

 

 

Não creias que, rompida uma amizade, não tenhas mais deveres a cumprir. São os deveres mais difíceis, nos quais só a honradez te sustenta. Deves respeito à antiga amizade. Deves abster-te de tornar as brigas públicas e de falar delas, a não ser para te justificares.

 

 

 

 

(Anne-Therese Lambert)

 

 

 

sinto-me: em paz
escrito por Eusinha às 00:21

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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Silêncio

Apanhei-o com ambas as mãos

Segurei-o muito bem

Levei-o, assim, até ao quarto

Soltei-o e fiquei a vê-lo subir,

Subir, subir, elevar-se e

Colar-se ao tecto.

Coloriu-se.

Pintou-se de cores garridas

E, brilhou.

Deitei-me a vê-lo...

Apreciei-o...

E, adormeci.

 

Sonhei, sonhei um sonho feliz

De Paz!

Essa Paz, trazida por esse ansiado

 

SILÊNCIO.

 

 

 

NOTA: As últimas duas semanas, foram muito trabalhosas, complicadas, angustiantes, stressantes, desgastantes...

Andei numa roda viva. Dividi-me entre filhos, reuniões escolares, notas, matrículas, marido, casa, emprego, voluntariado e amigos ( dois deles de férias, pediram-me alojamento cá em casa por necessitarem de sair dos sítios onde estavam alojados, por terem terminado os relacionamentos que mantinham).

Soube-me, deliciosamente bem, o silêncio que encontrei, quando regressei hoje a casa...

Hoje, pretendo deitar-me cedo. Dormir cinco horas por noite, já não é para mim. Eheheheheh!

 

sinto-me: encantada com o silêncio
música: Selena de Andrea Bartelucci
escrito por Eusinha às 23:25

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Estou viva e estou bem

Por algum motivo que não sei qual, dormi com a janela aberta. De manhã deixei o sol entrar e acaricar-me o rosto. Aquecê-lo. Beijá-lo. Senti uma estranha felicidade, daquelas que já nem nos lembravamos que seriamos capazes de sentir... Preparei-me de uma forma diferente do habitual, para o dia que se iniciava.

 

Olhei-me no espelho, e o que este me devolveu, foi a imagem de uma mulher linda. Sim, linda. Linda e feliz. Bem sei que nunca me atrevi a pensar em mim, como uma mulher linda mas, foi isso que eu vi no espelho. E foi assim que me senti.

 

Talvez por isso, os silêncios e a ignorância não me incomodaram, os gritos do chefe também não. A todos devolvi sorrisos e deixei surpresas algumas pessoas. Há muito que não me sentia assim.

 

Que se danem todos quantos me fizeram sofrer. E, obrigada por o terem feito. A todos eles devo o crescimento e a todos dedico o meu sorriso, claro, limpo, sincero.

 

E, peço desculpa, mas não vou aceitar mais, esse traçado de infelicidade e pequenez de vontade, ao qual me queriam destinar.

 

Estou viva e, estou bem!

sinto-me: Como o diabo gosta, eheheheh
escrito por Eusinha às 22:33

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Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

Retrato do meu futuro

 

Este mês de Maio não está a ser fácil. Há no ar uma conspiração de forças negativas e destruidoras que estão a deixar-me de rastos.

 

São uma sucessão de acontecimentos que se reflectem já no meu dia-a-dia, quer profissional quer pessoal.

 

Hoje, por exemplo, tive de ausentar-me do serviço, para ir ao encontro da minha filhota, que não estava nada bem.

Fui buscá-la à escola e levá-la a casa. Quarenta quilómetros no total, vinte dos quais fiz sozinha . O pensamento voou e projectou-me, face aos acontecimentos recentes, num futuro não muito longínquo - apenas a dez anos de distância.

 

O que surgiu, de uma forma clara, não me assustou, mas deixou-me alerta.

 

Eu estava sozinha , num apartamento tipo T2 , na cidade da minha paixão. Vivia sozinha .

A minha filha, independente profissional e economicamente, já tinha a sua vida definida e estruturada, perto de mim, mas num espaço dela. O meu filho estudante universitário noutra cidade, apenas regressava a casa no fim de semana e nas férias.

A minha única companhia era um peixe vermelho, no aquário.

Do meu marido, nem sinal. Nem imagino o que lhe possa ter acontecido.

Eu continuava a ser funcionária pública.

 

Olhei para a projecção da minha imagem e vi-me envelhecida, nos meus cinquenta e quatro anos...

A cultura acompanhava-me na forma de livros, cinema, teatro e concertos. Era, para além do meu peixinho vermelho, a minha companhia.

Mesmo assim, senti uma paz...

Parecia feliz e tranquila com a vida que tinha.

 

Será que estou actualmente a desenhar o meu futuro da melhor forma? Terei de fazer algumas correcções?

 

 

sinto-me: Apreensiva
escrito por Eusinha às 13:55

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